E afinal, o que é a verdade?

Toda a verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade.

sexta-feira, abril 28, 2006

Gasolina, cara gasolina

Quem tem carro deve estar morrendo de inveja do deputado federal Francisco Rodrigues, de Roraima. Em três meses ele gastou mais de R$60.000 em gasolina. Bom, quem gastou R$60.000 propriamente dizendo foi o contribuinte brasileiro, já que esse foi o valor que ele recebeu da Câmara dos Deputados como "verba indenizatória", um direito que os deputados federais têm. Trocando em miúdos, essa "verba indenizatória" serve pra repor os gastos que os deputados têm em suas atividades em seus estados de origem.

Mas R$60.000?!?!? Roraima é tão grande assim? Segundo o Wikipedia, Roraima tem quase 225 mil km², ou numa medida mais compreensível para os brasileiros, pouco mais de 208 mil campos de futebol. Mas vamos exercer um pouco mais a nossa imaginação matemática; supondo que a média do preço da gasolina em Roraima esteja ao redor de R$2.50 (me perdoem se estiver muito longe disso, mas além de não ter carro, estou um bocado longe de Roraima), com esse dinheiro poderíamos comprar 24 mil litros de gasolina. Supondo ainda que o Excelentíssimo Deputado tenha um carrão bebedor de gasolina, daqueles que fazem redemoinho no tanque quando se pisa no acelerador, e não um carrinho popular, façamos as contas com um veículo que faça 8 km/l. Daria 192 mil kilômetros.

Uau... 192 mil kilômetros em três meses... isso dá uma média de mais de 2 mil kilômetros por dia. Haja saco pra dirigir tanto!

Mas isso me manda de volta aos dados geográficos de Roraima. Se fazer fronteira com a Venezuela e com a Guiana Inglesa ainda não dão uma idéia exata do fim-de-mundo que Roraima é, acho que basta dizer que Roraima está "pra lá do Amazonas", do ponto de vista de 25 estados brasileiros mais Distrito Federal. A única exceção é o Amapá, que é quase tão fim-de-mundo quanto Roraima (que apesar de fazer fronteira com o Pará e o Suriname, pelo menos tem praia). Some-se isso à malha viária de Roraima. Quer saber quantos kilômetros de estradas Roraima tem? Pois então, eu também. Nem com o Google eu consegui encontrar! Mas imagino que estradas planas e asfaltadas não devem ser!

Por isso venho aqui dizer toda a verdade (que é a idéia desse blog) e sair em defesa do pobre deputado Francisco Rodrigues, que gastou honestamente R$60.000 em gasolina porque ELE TEM UM HUMMER! Pois só com um Hummer mesmo ele poderia vencer as dificuldades que a beleza exuberante da densa floresta que cobre Roraima para poder ir a cada pequena cidade onde existem eleitores que confiaram seus votos a tão nobre e honesto senhor para representá-los na Casa do Povo, que é a Câmara dos Deputados.

Concordo ainda com o líder do partido dele, que disse na TV que a posição do partido é que o deputado tem direito a defesa plena e irrestrita. O deputado Francisco Rodrigues precisa ainda de todo apoio de nós, cidadãos de bem, ainda mais quando, por nervosismo de ser acusado injustamente por crimes que ele não cometeu, acabou dizendo algo como "em vinte anos como deputado nunca exerci meu mandato sem nenhuma irregularidade". Claro que seus críticos chamam isso de ato-falho, mas quem nunca acabou falando algo diferente do que pensou em uma situação de pressão? Eu mesmo acho que quem tem sempre uma resposta fria pra dar na ponta da língua é alguém desonesto, o homem honesto sempre é pêgo de surpresa por acusações, principalmente porque sempre são infundadas.

A tempo, o partido do deputado Francisco Rodrigues é o PFL, que apesar de ser parodiado por muita gente como "Partido dos Fora-da-Lei", na verdade significa "Partido da Frota Liberada".

quinta-feira, abril 20, 2006

O que está por trás da ameaça dos EUA ao Irã?

Donos de automóveis e cidadãos em geral, temei! O preço dos combustíveis deve subir no mundo inteiro cada vez mais, graças ao novo enrosco do Excelentíssimo Presidente dos EUA George Bush: o Irã.

O doido do Ahmadinejad está cutucando o doido do Bush (e vice-versa) pelo direito de desenvolver tecnologia nuclear (a princípio, para "fins pacíficos"; claro que os dois lados acham que o mundo seria mais pacífico sem o outro). Pessoalmente eu acho que um país cujo presidente diz em discursos públicos que outro país deveria ser varrido do mapa (Israel no caso) ao mesmo tempo em que quer desenvolver tecnologia nuclear sem inspeções da ONU não deve estar pra coisa boa. No outro lado temos o país de economia mais forte do mundo e com um exército do qual se pode ter algum medo com uma sede insaciável de petróleo. Hmmm... espera um minuto... o Irã não é o quarto produtor mundial de petróleo?

Vejamos o cenário de melhor caso: os iranianos desenvolvem usinas nucleares para fornecer energia para o próprio país, diminuindo em muito sua própria necessidade de petróleo, podendo portanto diminuir a extração do ouro negro, aumentando a cotação internacional e assim, sugando ainda mais o sangue dos países que têm dependência mais forte do petróleo (EUA é o primeiro dessa lista).

E agora o cenário de pior caso: os iranianos desenvolvem armas atômicas e dizimam Israel. Choque na comunidade internacional, EUA resolve mandar algumas ogivas de presente aos aiatolás e daí não vai mais fazer muita diferença a cotação do petróleo, já que a Rússia e a China são parceiros comerciais do Irã e provavelmente tomariam seu partido nessa peleja, enquanto nós, pobres cidadãos, deveríamos começar a encomendar nossas almas pro além-vida.

Mas a causa real não é o petróleo.

E aqui, como de costume, vou contar toda a verdade. A causa de todo esse estresse geo-político é o pistache. Isso mesmo o que você leu, o pistache! Muitos não sabem que o Irã é o maior produtor mundial de pistaches, sendo responsável por 51% da produção mundial. E adivinhe quem é o segundo produtor mundial de pistache, com meros (mas não desprezíveis) 20% de produção? Acertou, os EUA. Aos EUA não interessa uma guerra. Muito desgaste, muitos custos, desaprovação popular e da comunidade internacional e pouco retorno. George é louco mas não é bobo, ele já viu o que acontece quando você resolve "libertar" um país muçulmano. Cheira a cruzada e muçulmanos não curtem muito isso, porque normalmente levaram a pior nessas brincadeiras. O que interessa aos EUA é um embargo econômico ao Irã. A maioria dos países teriam que suspender seus negócios com o Irã para não terem seus negócios com os EUA (normalmente de maior volume e mais lucrativos) suspensos. Dessa forma, os EUA teriam a liderança no mercado mundial de pistaches. E imagine só como ficaria a cotação internacional do pistache quando 51% da oferta simplesmente fosse cortada: o preço iria para as alturas! Mas seria suficiente para os EUA, com 20% desse mercado, lucrar muito a ponto de expandir suas plantações de pistache a ponto de ser o maior fornecedor internacional dessa noz.

Essa é a verdade. Tudo isso é um plano maquiavélico dos EUA para dominar inteiramente o mercado internacional de pistaches.

A verdade, afinal!

Chegou o blog definitivo para contar toda a verdade sobre tudo o que está acontecendo no mundo. Não perca os emocionantes capítulos vindouros!